Listas

Uma lista importante

“O mochileiro é um viajante independente, que organiza suas viagens por conta própria, dando ênfase ao conhecimento, aventura e diversão. Geralmente, utiliza meios de hospedagens mais econômicos e costuma fazer viagens mais longas.” Ufa, acho então que faço mesmo parte do grupo, pelo menos segundo à Wikipedia.

A dúvida começou a pairar sobre a minha cabeça antes mesmo de por os pés na estrada. Durante as minhas intermináveis pesquisas internéticas, entre sugestões de roteiro no sudeste asiático e dicas para economizar na Europa, um tema com o qual eu esbarrei várias vezes foi “o que não pode faltar na mochila de um mochileiro de verdade” (ou qualquer coisa desse tipo).

Essas listas costumam ser meio redundantes, ou criativas até de mais. Afinal, quem viaja sem levar calcinha? Ou melhor, é realmente necessário ter vitaminas na mala para uma viagem de 15 dias?

Sei lá, vai ver que eu é que não sou uma mochileira “de verdade”. Se bem que se viver 10 meses exclusivamente com o conteúdo de uma mochila não é ser mochileiro, eu não sei o que é. E por me considerar parte do grupo sim, é que eu decidi fazer a minha própria lista, mas um pouco diferente, uma lista das coisas que você com certeza vai ter dentro da sua mochila durante uma viagem de longo prazo, mesmo que você não tenha muita certeza de como elas foram parar lá:

  • Um pé de meia avulso que teve seu par perdido por aí, mas que não foi jogada fora porque em algum momento outra meia vai ficar sozinha, e mesmo diferentes elas vão poder formar um par;
  • Uma peça de roupa rasgada/manchada mas que continua sendo usada como qualquer outra, porque se está mochila, tem que ter utilidade;
  • Uma peça que um dia já foi branca, hoje nem tanto, e se alguém falar alguma coisa a gente sai pela tangente dizendo que é off white e vai conversar com outro mochileiro amigo com uma blusa mais encardida que a sua;
  • Um peça de roupa bem típica que você dificilmente vai ter coragem de usar na vida real. Por exemplo, que atire a primeira pedra quem conseguiu sair da Tailândia sem ter comprado a calça de elefante;
  • Uma peça de roupa que não é sua. Pode ter vindo de brinde na leva que foi para a lavanderia, mas a gente nunca vai saber…;
  • Panfletos e ingressos de atrações turísticas nas quais você não foi;
  • Moedas de países onde você esteve meses atrás, que não servem para nada a não ser fazer peso, mas que a gente se recusa a dar fim porque vai ter que servir de souvenir já que você não comprou nem um imã de geladeira para guardar de recordação.

Às vezes, você só descobre que tudo isso estava na mochila ao finalmente chegar em casa e ter a dolorosa tarefa de desfazê-la. Às vezes, entre um destino e outro, num albergue de qualidade duvidável, você se pega com um desses itens na mão e decide se desfazer logo dele, afinal, espaço sobrando na mochila é tão desejável quanto café da manhã incluído na diária. Mas o que importa é que em algum momento, tudo isso esteve lá.

Fazer a blogueira de viagem viciada em listas dá mais trabalho que carregar por aí uma mochila com uns quilinhos a mais que o estritamente necessário. Mas ter uma desculpa para lembrar dos pequenos detalhes da viagem é tipo ter um Mastercard, não tem preço.

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