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Cenas da uma praia malaia

Todo mundo que me conhece pelo menos um pouquinho sabe que eu não sou do tipo de pessoa que adora praia. Alguns consideram até um sacrilégio uma carioca dizer uma coisa dessas, mas desde que a construção de castelinhos de areia perdeu a graça, praias deixaram de ser um programa que eu aprecie muito ou faça com frequência.

Só que depois de dois meses de viagem, praticamente só pegando temperatura digna de verão brasileiro, geralmente em cidades com bastante concreto, e ostentando marcas ridículas de sol do short e da mochila, até eu estava doida para ir à praia.

Ainda que não seja um destino turístico mega famoso no Sudeste Asiático, a Malásia tem um litoral extenso com praias belíssimas, então decidi que iria aproveitar meus últimos dias no país antes de ir para Bangkok numa ilha chamada Langkawi.

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Uma das ilhas menores em Langkawi

No entanto, há algo curioso na Malásia em se tratando de religião: apesar de também ser o lar de cristãos, hindus, budistas e outros, a maioria da população do país é muçulmana. Sim, eu já tinha notado a grande quantidade de mulheres usando o hijab (o lenço na cabeça) e algumas até de burca nas ruas da capital Kuala Lumpur, mas só na ilha tive a real dimensão de como a religião afeta a vida delas (ou não).

Fui fazer um passeio de barco que fazia algumas paradas pelo caminho e, na última delas, paramos numa pequena ilha onde tínhamos 1 hora para aproveitar. Com o sol a pino, um calor opressor e uma praia de águas calmas e transparentes, tudo que eu queria era cair no mar. Mas ao olhar em volta, eu congelei. Só havia mulheres muçulmanas ao meu redor, todas com roupas de mangas e calças compridas, todas usando o hijab, algumas até de meia para não deixar os pés de fora. E eu de shortinho e regata doida para ficar só de biquíni.

Depois de alguns minutos de tensão andando um pouco e aproveitando para tirar umas fotos, resolvi me afastar da parte com a maior concentração de pessoas, e fazer “exposição da figura” mesmo (referência só para quem assistiu “O Clone”). Entrei o mais rápido possível na água e de lá pude ver que, apesar dos homens estarem de boas de bermuda, as mulheres não deixam que a imposição do vestuário impeça que elas curtam a praia. Algumas ficavam sentadas na areia, outras molhavam o pé na beirada, tinha também as que estavam nadando no mar, todas cobertas, mas ainda assim, aproveitando o belo dia na praia como eu.

Para aliviar o meu desconforto inicial, mais barcos atracaram na pequena ilha trazendo outras ocidentais de biquíni, e eu pude apreciar o restante no meu tempo lá me preocupando mais com a possibilidade de um macaco roubar minha mochila do que com o fato de eu estar ofendendo alguém com o meu singelo traje de banho.

Moral da história: não importa a sua religião ou a sua roupa, todo mundo pode curtir um dia de praia. Acho que pelo menos nisso, os cariocas da gema estão certos, e até eu que sou “da clara” tenho que concordar.

 

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Uma emoção chamada “chegar sem dinheiro”

Eu sou uma pessoa organizada. Com viagem então, eu beiro a paranoia. Sempre caí na estrada com tudo decidido, reservado e preparada para qualquer eventualidade. Tudo devidamente calculado e a moeda estrangeira já trocada para não me enrolar com o maldito iof do cartão.

Mas aí como faz quando você vai para vários lugares e não é prático (nem seguro) trocar todo o seu dinheiro em cada moeda que você vai precisar. Depois de muitas pesquisas no maravilhoso mundo da internet, descobri que a melhor alternativa para mim seria fazer saques com o meu cartão de débito em moeda local em cada lugar que eu chegasse. Na teoria, tudo lindo, mas na prática me rendeu meus primeiros momentos de tensão na China.

Já saí no Brasil com os meus ienes japoneses em mãos, já que era o primeiro lugar que eu iria, e, como sou quase de humanas, ainda estou tentando entender a magia que eu fiz para ter trocado uma quantidade tão exata de dinheiro (sério, só sobraram moedinhas). Ainda no aeroporto de Osaca, perguntei no balcão de informações, como quem não quer nada, se era possível sacar dinheiro nos caixas eletrônicos em moeda chinesa. Nada feito. Entrei no avião sem um tostão chinês no bolso e morrendo de medo, se algo desse errado não conseguiria nem sair do aeroporto.

Depois de finalmente pousar e passar por toda aquela burocracia da imigração, avisto um caixa eletrônico. “Ufa!”, pensei. Cheguei perto e logo na tela de entrada tinha a opção de menu em inglês. “Já deu certo!”. Coloquei meu cartão, fui seguindo as instruções e aparece o aviso ERRO. “Ops…O que será que eu fiz de errado?”. Tentei novamente, mesma coisa. Tentei com outros dois cartões, nada funcionava.

Fazendo o meu melhor para controlar o desespero, fui procurar outro caixa eletrônico. Por sorte aviso outros dois um pouco mais a frente. Me aproximo e ambos estão com plaquinhas FORA DE SERVIÇO. “Ai minha Lady Gaga, o que eu faço agora?” Bateu até um calor e tirei o casaco.

Decidi andar mais um pouquinho quando vejo lá no fim do corredor minha última esperança, uma última máquina quase escondida depois da curva. Lá vou eu novamente e “Aleluia, irmãos!”, as notinhas com a cara do Mao Tse-tung finalmente chegam nas minhas mãos e eu posso finalmente pagar pelo ticket do trem para chegar no meu hotel. Na verdade, pegar o trem, para pegar o metrô, trocar de linha no metrô, sair na estação certa, me achar super esperta por ter conseguido, me perder ao virar na rua errada, me achar uma idiota já que é obvio que o Google Maps não funciona aqui, pedir penico e entrar num táxi.

Sim, aqui já começa com emoção…

Tá calor

“Eu subestimei o verão japonês…”

Isso é tudo em que eu consigo pensar quando sento no metrô que acabou de abrir as portas depois de uma tarde de bateção de perna. Enquanto amarro o cabelo (e mentalmente xingo a minha mãe por ter decidido sair de cabelos soltos depois que ela disse que eu agora só ando com esse cabelo preso) e tento inutilmente secar o suor do meu rosto com um lencinho de papel, eu reparo na japonesa que se sentou na minha frente.

Sacola de compras na mão, provavelmente também esteve andando por aí debaixo do mesmo sol que eu, e uma calma e tranquilidade de quem está numa temperatura de pelo menos dez graus a menos que eu. Ela está de cabelos soltos e não há um fio fora do lugar, a franjinha também não parece grudada na testa.

Enquanto eu estou me abanando com o panfleto que recebi no museu, mais vermelha que um pimentão, ela está ali com uma pele que parece uma porcelana de tão branca. Enquanto eu estou de shortinho e regata sentindo o suor escorrer pelas minhas costas, ela veste uma saia esvoaçante até o meio da canela, blusinha de manga 3/4 e, pasmem, um casaquinho leve por cima. Isso tudo e nem uma gota de suor escorrendo pelo rosto, e eu aqui quase desidratada.

Ela não é a única. A senhora logo ao lado também está toda trabalhada na sobreposição e a menina que a acompanha está usando luvas sem os dedos estilo anos oitenta até os cotovelos. Fico com mais calor ainda só de olhar.

Pode até ser que elas estejam acostumadas com o calor de Tóquio, mas eu também devia estar, ou será que eu não nasci no Rio-40-graus?

Pelo que eu me lembro, cariocas vivem permanentemente suados. A gente já sai do banho querendo voltar para debaixo do chuveiro. Todo mundo já se sentiu meio mal por estar com uma pizza embaixo do braço. Dá até pena de ver os engravatados andando pelas ruas do centro da cidade em pleno dezembro. Não sabemos lidar com o calor, nosso corpo reclama e queremos sempre usar menos roupa.

Mas não no Japão. Japoneses devem ter uma fisiologia diferente, sei lá. Aliás, japoneses não, japonesAs. Porque pelo menos pela fisionomia daquele sujeito que se refresca com seu leque enquanto captura mais um Pokemón, ele deve estar sentindo o mesmo calor que eu.

Daqui pra frente

Uma vez li em algum lugar a pergunta “Você já fez alguma viagem que mudou sua vida?”. Fiz sim, da última vez que viajei tive a certeza que queria e que precisava viajar muito mais. A certeza foi tão grande que resolvi que um dia iria fazer a louca, pedir demissão, botar uma mochila nas costas e cair no mundo sem data marcada para voltar.

Não deu para esperar o convite do Gandalf, mas mesmo assim esse dia chegou. Na última segunda feira embarquei na maior aventura da minha vida e não faço ideia das coisas que irão acontecer daqui pra frente, só sei que se eu não atualizar esse blog com frequência vai ter gente se teletransportando para de dar umas bolachas.

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Para quem algum dia já tinha estado no meu blog, é possível que a quantidade de textos sobre os “causos” da minha irmã diminuam, mas nada é garantido (afinal, quem vai dar limites a essa menina comigo longe?). Aos que nem sabiam da sua existência, bem-vindos, e perdoem o mau português com excesso de parênteses e pontos de exclamação e o fato de eu nunca ter entendido direito as novas regras de acentuação.

 

 

O que eu vou ser quando crescer?

Eu ainda anão cresci. Eu sei que já tenho 27 anos da cara, apesar da minha mãe se achar no direito de arredondar para 30 e dos meus alunos jurarem de pés juntos que eu ainda tenho 21, mas eu ainda não cresci. Simplesmente, não consigo conceber essa possibilidade. Como pode uma pessoa ser considerada adulta se até hoje nunca nem consegui responder “o que eu queria ser quando crescesse”.

Analu criança, quero ser astronauta. Acho que nos Estados Unidos isso nem seria considerado tão estranho assim, mas por aqui todos os meus amiguinhos riem por eu ser a única que não quer ser aeromoça nem veterinária. Essa fase até dura bastante, mas com o passar do tempo novas ideais surgem. Arqueóloga, vulcanóloga, caçadora de tornados, cientista, repórter do Discovery Channel…

Mais tempo passa, e na escola você começa a entender que aquelas matérias com as quais você tem mais afinidade provavelmente querem dizer alguma coisa sobre o seu futuro. Com os pés mais perto do chão e levando a questão da impossibilidade geográfica um pouco mais a sério, as alternativas mudam. Historiadora, arquiteta, médica, jornalista, ganhadora do Big Brother, fotógrafa de shows de rock, vitrinista, decoradora…

Mas chegou a hora de prestar vestibular e a opção é a Biologia. Bichinhos, plantinhas, pedrinhas rochinhas e celulinhas. Floresta, restinga, praia e montanha. Trilha, laboratório, triagem de material e relatório. CSI, pesquisadora ou professora universitária? Diploma na mão, mas não, peraí, acho que não é isso. Posso tentar de novo? Professora de Ciências, talvez? Segundo diploma na mão e…

E professora de Inglês? Ah,  legal… Divertido… Bacana, mas só isso? Tico e teco voltam a trabalhar. Tradutora, intérprete, blogueira de viagem, como é mesmo o nome de quem faz legenda?… Ainda pode voltar pra Biologia?

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas.

Eu ainda não cresci. Eu não posso ter crescido. Eu ainda não sei o que eu vou ser quando crescer.

Procura-se inspiração, desesperadamente

O dia segue normalmente e aí algo muito engraçado (mas não necessariamente legal) acontece. Eu quase me mijo de rir. Chego em casa e sento na frente do computador. Começo a escrever um post para o meu blog. Cai a fixa que, na verdade, não foi tão engraçado assim. Ou então, eu tenho uma grande revelação do universo, faço uma anotação incompreensível para não esquecer e depois quando vou ler não faz sentido algum.

Morro de curiosidade para saber como fazem essas pessoas com colunas diárias ou semanais no jornal. Como elas sempre tem algo relevante para dizer? Como sempre acontece algo interessante e válido de nota até quando elas estão na fila do pão?

Meu sonho era ser uma daquelas pessoas que acordam incrivelmente inspiradas e escrevem páginas e páginas, mas no momento, minha inspiração resolveu tirar férias por tempo indeterminado. Aguardo ansiosamente a sua volta para retomar minhas atividades de cronista amadora.

Na folia

E então, amiguinhos e amiguinhas? Curtiram muito o carnaval? Eu curti! Enquanto a maioria das pessoas que eu conheço estavam presas em engarrafamentos, sofrendo cortes de luz e racionamento de água em localidades praianas e se expondo à ensolação e câncer de pele atrás dos mais de 500 blocos que congestionaram a cidade do Rio, eu passei maravilhosos 4 dias sem colocar o nariz na rua.

Passei meus dias de molho na piscina ouvindo as histórias mais bizarras contadas pelo pessoal que fez da minha casa um óasis nesse verão, me colocando em dia com as séries que eu não consegui ver e com os filmes que estão concorrrendo ao Oscar.

Além disso tem as Olimpíadas de Inverno. Porque ninguém fala dela? Vancouver me parece tão agradável nessa época do ano e paetê por paetê, sou muito mais os da patinação artística!

Então, enquanto você rói todas as suas unhas durante a apuração das escolas de samba, eu fico aqui, escrevendo este singelo post e torcendo para no ano que vem estar num lugar bem frio, onde ninguém nem lembre que é carnaval.

2009 vai e eu volto

I’m back, baby! Depois das minhas férias forçadas de um dos meus passa-tempo preferidos, mas antes do fim da novela que se tornou minha monografia, o que importa é que eu decidi reativar meu querido e amado blog antes do fim de 2009 para fazer parte da minha tradição preferida desta época: listas!!!

Quem seria eu sem saber os 10 melhores filmes brasileiros da década, as grandes trapaças do esporte ou os maiores micos de celebridades em 2009? Mas prefiro não ser tão específica, então aqui estão meus melhores  e piores, em ordem totalmente aleatória, desse ano que está prestes a virar a esquina:

Ups:

– Twitter

-Lady Gaga

– Hara baba

– Tirarem o 397 da Ocidental

– Amigas recém-solteiras

– Terminar a faculdade

Downs:

– Novo Orkut

– Notícias sobre Crepúsculo todo dia no E!

– Cd novo do Arctic Monkeys

– MTV ter sumido da Sky

– Amigas recém-solteiras que só te levam para programas furados

– Terminar a faculdade e não ter idéia do que fazer agora

Além de umas coisinhas impublicáveis…

Sendo assim só falta desejar um 2010 com todos os clichês de direito(ou não) pra todo mundo que eu conheço (ou não).

Give me a break

Por motivo de força maior serei obrigada a deixar meu querido blog de lado por algum tempo. É que essa brincadeira anda me tomando muito tempo. Tempo esse que no momento seria melhor empregado na conclusão da minha monografia, afinal, eu preciso me formar para ter direito a prisão especial!

Então, mesmo tendo muito o que falar sobre o apagão, o vestido da Geyse e “otras cositas mas”, vou ficar devendo a minha querida meia duzia de leitores cativos minhas observações super relevantes sobre estes casos.

I’ll be back!

Torcedores iludidos

Alguém me explica porque os flamenguistas estão comemorando hoje? Por acaso eles não ganharam o jogo ontem com um gol contra? Por acaso eles não perceberam que só ganharam para o Botafogo não fosse campeão por antecipação e que assim hajam mais dois jogos e milhões de ingressos vendidos? Sem contar nos direitos para tv, estimulo de vendas de objetos relacionados aos times e por aí vai.

Será que existe torcedor mais ludibriado que o carioca?