Acontece com os outros

O caso do rato

É inegável que morar sozinha tem seu lado bom, mas às vezes a gente não consegue parar de pensar na parte nem tão legal assim. É a geladeira que não se enche sozinha, é o milagre da multiplicação da roupa suja, é não ter ninguém pra matar a barata. Mas falando em fauna que teima em te visitar, a barata pode ser o menor dos seus problemas.

Outro dia um amigo meu chegou em casa após um dia cansativo de trabalho e se deparou com um rato de proporções bastante avantajadas passeando pelo seu quarto. Depois de horas de perseguição que resultaram em um roedor entocado em algum lugar daquele apartamento e um inglês exausto, o meu amigo desistiu da tarefa e foi dormir sentado no vaso sanitário trancado no banheiro.

Para resumir a história, foram necessários 3 chineses, dois dias e uma vassoura, mas o rato foi finalmente capturado e o inglês entrou praticamente em coma e dormiu por quase 20 horas seguidas. Pelo menos alguém estava dormindo…

Depois de ouvir sobre o rato num almoço casual com o pessoal do trabalho, eu confesso que fiquei um pouco paranoica. Eu moro no mesmo condomínio que o inglês e se há ratos rondando o apartamento dele, as chances são grandes de que eles apareçam na minha área também. Cheguei do trabalho e, só por desencargo de consciência, vasculhei cada cantinho da minha casa a procura de algum rato que poderia estar se aproveitando do meu lar quentinho, mas não achei nada.

Eis então que no meio da madrugada, desperto do meu sono com um barulho dentro do quarto. “Só pode ser um rato”, eu pensei, e me coloquei novamente atrás do roedor de lanterna na mão às 4 da manhã, arrastando o rabo do meu pijama de dinossauro pelo chão frio. Até que eu enfim achei o culpado. Não era um rato, mas o ganchinho de sucção que eu havia prendido na parede que se soltou.

Ainda estou na dúvida se é melhor ter certeza que se matou uma barata sozinha, ou ter uma vida solitária assombrada pelo fantasma do rato imaginário. Se algum dia eu voltar a ter uma noite de sono tranquilo, eu aviso.

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Jéssica e o livro

Há quem goste de conversar com pessoas que já visitaram um certo destino antes de viajar para lá, há quem goste de ver um filme que tenha sido gravado em tal lugar, e há quem goste de ler um livro onde a história se desenrola no destino a ser visitado.

Jéssica se encaixava no terceiro grupo, por isso decidiu ler “100 anos de solidão” de Gabriel Garcia Marquez como forma de preparação para a sua viagem para Colômbia, um presente de seu irmão que possuía um exemplar a muitos anos encostado numa estante e decidiu dá-lo à irmã quando soube de seus planos. Mas como os dias que antecedem qualquer viagem são sempre bastante atribulados, ela só conseguiu começar a ler a obra no avião a caminho de Medellín.

Como não poderia ser diferente, Jéssica ficou completamente vidrada na história. Devorou mais de um terço do livro só nas horas de voo. Levou o volume consigo durante a trilha que durou dias na floresta mesmo sabendo que só conseguiria avançar um pouquinho por dia na história com a ajuda de uma lanterna depois de um dia longo de caminhada. Carregava o livro sempre na bolsa para aproveitar qualquer oportunidade, fosse esperando na fila do museu ou pegando o ônibus de volta para o hotel.

Um belo dia, Jéssica, cansada de tanto bater perna pelas cidades colombianas, resolveu pegar um sol à beira da piscina do seu hotel e, claro, aproveitou para continuar com sua leitura. Chegou até o último capítulo, mas deixou Garcia Marquez de lado quando outros hóspedes puxaram conversa e acabou esquecendo o livro na mesa quando decidiram ir para outro lugar.

Tão perto do fim da história, a leitora ficou inconsolável quando, no dia seguinte, se deu conta do que havia acontecido. Revirou a área da piscina de ponta cabeça, perguntou a todos os funcionários do hotel com seu espanhol capenga, falou com outros viajantes, mas não teve sorte em descobrir pistas sobre o paradeiro do livro.

Desolada, mas sem tempo a perder, já que pegaria um ônibus para a próxima cidade em algumas horas, ela decidiu que a primeira coisa que faria em seu próximo destino seria encontrar uma livraria e comprar um novo exemplar para, finalmente, conhecer o final da saga da família de Aureliano.

No ônibus, sem ter nada para se distrair, Jéssica começou a notar as pessoas em volta e qual não foi a sua surpresa ao notar que um senhor algumas fileiras a frente estava lendo justamente “100 anos de solidão”. Sem conseguir dar um chega pra lá na pulga que se instalou atrás de sua orelha, ela puxou assunto com a esposa do turista na parada para banheiro e descobriu que ele havia acabado de conseguir o livro com o programa de trocas do hotel onde ficaram hospedados, o mesmo hotel de Jéssica.

Para acabar de vez com qualquer dúvida, ela pediu para ver o livro, pois seu irmão havia feito anotações à lápis nas primeiras páginas do volume a muitos anos atrás. Sim, as palavras tortas de seu irmão estavam lá, era o mesmo livro, como se o universo estivesse tentando colocá-lo de volta no caminho dela.

É claro que ela tentou agradecer ao universo na forma de não falar nada durante a viagem de ônibus para que o senhor não perdesse a sua distração durante aquelas longas horas, mas assim que chegaram ao destino final ela pediu encarecidamente se poderia ter o livro de volta e explicou como faltava tão pouco para que ela chegasse ao fim da história pela qual ela havia se apaixonado e como o livro em si também possuía um valor sentimental por ter sido um presente de seu irmão.

Esta poderia ser uma história fabulosa sobre como alguém perde um objeto e, depois de uma longa e cansativa busca uma terra longínqua, consegue recuperá-lo. Porém, o poder de sedução de um bom livro pode ser maior que a empatia por outro ser humano e o senhor simplesmente se recusou a devolver o livro à sua dona original.

E sendo assim, Jéssica não teve outra alternativa a não ser segurar sua ansiedade até finalmente encontrar uma livraria onde pudesse comprar outro exemplar do famoso livro de Marques e enfim desvendar o mistério das últimas páginas. Além de claro, desejar com todas as suas forças que o tal senhor esquecesse o livro em algum banco de praça, mesa de café, ou beira de piscina quando também para ele faltasse pouco para o fim da história. E se Gabriel Garcia Marquez estava certo ao dizer que “a vida cotidiana na América Latina nos demonstra que a realidade está cheia de coisas extraordinárias”, foi exatamente isso que aconteceu.

 

A Fulana

Eu não sei quem é a Fulana, mas com certeza quero conhecê-la.

Um professor começou a falar sobre os alunos de uma de suas turmas, e ao descrever uma certa aluna, disse que mesmo após tantos meses de aulas ainda não tinha conseguido entender o je ne sais quoi da tal Fulana: “Ela é amiga de todo mundo! Dos gays, das lésbicas, dos héteros! Tá todo mundo sempre em volta da Fulana!”

A minha reação ao ouvir isso? “Olha, pelo que você está falando, a Fulana me parece uma pessoa ótima, uma pessoa de coração aberto, uma pessoa que aceita as outras como elas são sem preconceitos. Quer saber, eu também quero ser amiga da Fulana!”.

Minha declaração causou risos, mas eu não entendi bem o porquê. Como uma pessoa tão tolerante e agradável como a Fulana pode ser percebida com desconfiança? Como uma personalidade dessas pode ser comentada em tom de deboche? Como esse tipo de comportamento pode ser tido como exceção e não regra?

O mundo precisa de mais gente como você, Fulana! E eu sei que a sua oferta de amizades deve ser grande, mas se houver alguma vaga de amiga sobrando, estamos aqui para isso!

Podia ser comigo, mas aconteceu com outro

Não tenho vergonha nenhuma em assumir que sou uma procrastinadora de carteirinha e uma consequência direta disso é a frequência com que esse humilde blog é atualizado. Mas como o mundo não para de girar só pela minha falta de iniciativa, para lembrar de tudo, eu costumo fazer algumas anotações para usar quando bater uma inspiração de sentar e escrever.  Eis então que hoje, dando uma limpa na minha caixa de rascunhos muito meio antigos, resolvi montar essa coletânea de casos peculiares só para lembrar ao mundo que histórias bizarras também acontecem com outras pessoas.

  • Caso 1: O pai dorminhoco

Aqui no meu longínquo bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro existia um costume bastante incomum na minha época de adolescente, os desfiles estudantis. Funcionava assim: cada colégio organizava um desfile entre os alunos para premiar as beldades do corpo discente. Estes eventos eram o ponto alto da minha vida social lá pelos meus 15 anos, principalmente porque uma amiga minha desfilava todo ano. Numa dessas ocasiões, o pai dessa minha amiga, que tinha levado a família toda para acompanhar a performance da garota, acabou dormindo apoiado na mesa na espera pelo resultado. Quando finalmente anunciaram minha amiga como a grande vencedora da noite, toda a família foi à loucura e no calor da comemoração, o pai acordou assustado com os gritos e aplausos e confuso, para dizer o mínimo, gritou: “Gol do Vasco!”

  • Caso 2: Confusão no elevador

Esse eu juro que não inventei, mas também não consigo lembrar quem me contou. Era uma vez um homem que adorava crianças, aquele tipo de pessoa que brinca com qualquer infante que vê pela frente. Um belo dia ele entrou inocentemente em um elevador, onde algumas pessoas já estavam.  Lá do alto de sua estatura mediana, ele avistou uma vasta cabeleira ruiva lá em baixo e resolveu brincar descompromissadamente com aquelas madeixas, coisa que qualquer um faz ao avistar uma criança fofa. Ele só percebeu que a tal criança ruiva era, na verdade, uma anã, quando ela se virou para ele e disse: “Algum problema, senhor?”.

  • Caso 3: Cancelando a TV por assinatura (ou não)

Essa é digna de roteiro de vídeo do Porta dos Fundos. Um colega meu dos tempos de faculdade recentemente tentou cancelar sua TV por assinatura e, sabendo que iria encontrar resistência por parte da atendente, bolou um plano infalível (ou pelo menos era o que ele achava). Graças ao maravilhoso advento do Ctrl + C Ctrl + V, resolvi reproduzir exatamente o que ele postou no Facebook:

“Depois de 8 minutos ouvindo musiquinha…
– Alô! Um momento…
[ok.]
– Qual foi o problema senhor?
– Quero cancelar minha assinatura.
– Mas porque, senhor? (com voz chorosa)
– Estou mudando meu estilo de vida, não quero viver mais com televisão e internet. Quero curtir mais a natureza. (pronto, desculpa perfeita pra eles não me oferecerem mil planos e descontos)
– Ok, um momento.

2 MINUTOS DEPOIS VEIO O INACREDITÁVEL! HAHAHAHA
– Sr, no seu pacote tem canais como o Animal Planet e National Geographic pra você curtir a natureza do jeito que ela é no conforto da sua casa!

Oo’ não acreditei, ri, e a ligação caiu.”

Resumindo, não precisa ser eu (ou a minha irmã) para ter uma história esdrúxula para contar. Você pode estar apenas fazendo um programa em família, pegando um simples elevador ou tentando fazer uma atividade cotidiana no conforto do seu lar. O que realmente importa é que eu fique sabendo, afinal, este blog precisa de mais atualizações.

Papo na boate

Eu trabalho, eu estudo, eu faço coisas, eu conheço pessoas, eu viajo, eu vou a festivais, e ainda assim as histórias da vida da minha irmã me parecem um material muito melhor para este humilde blog.

Pois bem, outro dia Heloá foi a uma boate. Não sei dizer exatamente qual foi a reviravolta que aconteceu na vida dela para que ela mudasse de opinião tão drasticamente, mas minha irmã, até então uma baladeira de marca maior, veio me contar que odiou e foi a primeira a chamar as amigas para irem embora do lugar. Confesso que fiquei intrigada e pedi detalhes da noite. Ela então me contou sobre a conversa que ela havia tido com um dos caras que tinham chegado nela aquela noite.

_ O que você faz?_ perguntou o cidadão tentando engatar o papo.

_ Eu estudo publicidade_ respondeu ela.

_ Mas só estuda?

_ É! Aliás, estudo pra caramba tá! _ ela já não estava assim tão paciente…

_ E você mora aonde?_ insistiu o cara.

_ Em Campo Grande.

_ Nossa, que longe… _ respondeu o cidadão com espanto.

_ Quer dizer que além de me achar desocupada, você também acha que eu moro mal?_retrucou minha irmã em tom revoltado.

_ Ih… Essa conversa está tomando um rumo que eu não gostaria_ disse o pobre rapaz, sem entender aonde havia errado a curva.

Tudo podia ter acabado aí. Cada um teria seguido seu rumo e pronto, mas não! O cara era insistente e passou o resto da noite cercando a minha irmã, que continuou a ignorá-lo solenemente. Como se não bastasse, ao fim da noite ele ainda a entregou seu cartão de visitas (o que me leva a pensar, que tipo de pessoa leva o cartão de visitas para uma boate, mas deixa pra lá…). Heloá cogitou jogá-lo ao vento, triturá-lo em mil pedacinhos na sua cara ou simplesmente fazer dele uma bolinha de papel e engoli-la, mas pensou melhor e guardou o cartão por educação.

E no melhor estilo He-man ao final de um episódio eletrizante eu pergunto: e o que aprendemos com a história de hoje, amiguinhos? Que não adianta você frequentar lugares bacanas na Barra, ter um emprego fixo e respeitado (com direito a cartão de visita e tudo) e ser um cara persistente e interessado se você resolver cortejar justamente a loirinha de TPM.

O curioso caso do gago na van

Isso poderia ser uma piada, mas não é. Isso poderia ser uma esquete do Zorra total, mas seria no máximo um quadro melodramático do Fantástico. Porque o que eu estou prestes a lhes contar não é ficção, é realidade.

Um amigo de um amigo meu (sempre quis usar essa expressão) é gago e detesta andar de van.  Para você que é rico e nunca usou o transporte alternativo carioca, na van não tem aquela cordinha que a gente puxa quando quer descer do ônibus, você precisa avisar em alto e bom som onde vai soltar. Então imagine o tamanho do problema deste cidadão: ele precisa avisar onde vai descer, mas é  muita pressão para um pobre rapaz gago, ele fica nervoso, acaba gaguejando ainda mais e leva tanto tempo para dizer onde vai ficar que acaba perdendo o ponto. Tadinho!

E já que todo mundo hoje em dia é engajado em alguma coisa, eu resolvi levantar a bandeira dessa minoria esquecida: os gagos que andam de van!  Se você perceber que a pessoa ao seu lado está se engasgando para dizer onde vai ficar, se adiante com um “Para no próximo aí, motô!” e evite o momento de desconforto do colega ao lado.

O gosto da maldade

Eu não sou uma grande conhecedora de bebidas alcoólicas. Tudo que eu sei é que eu odeio fermentados e só tolero destilados diluídos ao máximo em suquinhos muito doces. Eu nunca experimentei Campari e tudo que eu sabia até semana passada sobre a bebida era que ela é vermelha. Mas depois do depoimento de um amigo meu, acho que nunca irei me arriscar a tentar:

_ Aquele troço é horrível! Se a maldade tem um gosto, é o gosto do tal do Campari, é por isso que no comercial fica um jogando a bebida no outro, porque ninguém aguenta beber!

Campari

Jessica Alba fazendo a phyna e se desfazendo do drink de fininho

Então já sabe, se você ver alguém na balada com um copo de Campari na mão mantenha a distância, as chances são altas de que na hora que essa pessoa for se desfazer da bebida você acabe sendo atingido.

A nova namorada do Chris Evans

Normalmente eu me acho a pessoa mais #ForeverAlone desse mundinho chamado internet, mas de vez em quando aparece alguém para me lembrar que não, eu ainda (ênfase no ainda) não cheguei no fundo do poço, por mais que vocês possam achar que eu estou bem próxima disso.

Hoje meu dia já começou com minha irmã me chamando às gargalhadas no computador para ver o que a amiga dela (sempre os amigos da Heloá…) tinha colocado no status de relacionamento:

Sim, cansada dessa vida de encalhação a menina teve o trabalho de criar um perfil fake do Chris Evans (se você não sabe quem é Chris Evans vou logo avisando para não ler nenhum dos meus outros posts já que não vai entender nenhuma referência de cultura pop mesmo) para anunciar para todos os amiguinhos que ela está num relacionamento enrolado com ele. A parte mais legal são os comentários dos amigos avacalhando a ideia genial da coleguinha:

Nem preciso queimar meus escassos neurônios tentando fazer algum comentário engraçadinho depois de tudo que os coleguinhas disseram. E a prova de que a menina em questão é tendência, é vanguarda, é que já tem gente imitando o estratagema:

Destaque para o meu incrível esforço para preservar a identidade das pessoas envolvidas no caso, com exceção da minha irmã, claro. Vamos começar já a pensar em qual será o fake hollywoodiano que você vai criar para incrementar sua vida amorosa imaginária. Personagem vale também? Se sim, Seth Cohen é meu e ninguém tasca!

Superação

Todas as pessoas do sexo feminino (sim, eu disse todas, sem excessão, e talvez alguns do sexo masculino também) perdem pelo menos alguns minutos da vida imaginando o que fariam se reencontrassem aquela pessoa cobiçada da época do colégio e esta mostrasse interesse pela sua pessoa. É esse ponto que torna fácil a divisão da população mundial em dois grupos muito distintos: aqueles que a cinco anos já tem o discurso de rejeição na ponta da língua para sambar na cara do ex alvo de estolkiação (neologismo sempre foi meu fenômeno preferido da Língua Portuguesa…) ou aqueles que pegariam a pessoa só para ter o gostinho da vitória.

Eis que então estava eu na cama outro dia, pronta para dormir, mais de uma da madrugada , quando meu celular tocou. Olhei meio desconfiada e vi que era uma amiga minha da época de colégio. Em dois segundos tudo de pior que pode acontecer com uma pessoa passou pela minha cabeça antes de atender, mas confesso que não estava preparada para ouvir o que se seguiu:

_ Fulana? Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?_perguntei eu, toda preocupada.

_ Ih, foi mal! Nem olhei a hora! Já tava dormindo, né?

_ Não, quer dizer, quase, mas o que é que houve pra você me ligar assim a uma hora dessas?

_ Então lembra do Fulaninho?

_ Que Fulaninho?

_ O Fulaninho! Da época da escola? Aquele por quem a gente era apaixonada? Então, acabei de pegar!

_ Como assim acabou de pegar?

_ Peguei, ué! Desculpa te ligar a essa hora, mas é que eu precisava compartilhar isso com alguém! Analu, eu venci!

Não, eu não inventei nada. Sim, essas foram exatamente as palavras que ela usou. E não, isso não é um filme de Hollywood onde depois de tantos anos eles se reencontram e descobrem que são almas gêmeas para serem felizes para sempre juntos. Na verdade, eu nem sei se eles vão se ver de novo, mas não é qualquer dia que aparece uma história de superação tão bonita para compartilhar.

E só para constar, eu faço parte do primeiro grupo, no caso de um certo cidadão magricela de olhos verdes estar lendo esse blog e se perguntar sobre as possibilidades. Mas sinta-se a vontade de dar em cima de mim, meu discurso de rejeição é digno de novela das oito e eu não gostaria de desperdiçá-lo.

Going out is overated

A algumas semanas atrás minha irmã foi pela primeira vez a uma boate na Barra da Tijuca e, com isso, todos os últimos meses que eu passei levando ela pra shows na Lapa e a convencendo que Franz Ferdinand era legal, foram por água abaixo. Tudo perdido numa mísera noite! Ela voltou na manhã seguinte achando tudo o máximo! A música, as pessoas, o ambiente, tudo mesmo!

Eis então que numa recente festinha familiar, encontramos nossas pseudo-primas de sempre e elas estavam contando de uma noite tediosa em que foram comemorar o aniversário de uma amiga delas nessa mesma boate que mudou a vida da minha irmã.

_ Eu fui numa tal de 021…

_ Eu super fui lá! _apesar do “super”, a fala é da minha irmã.

_ Naquele LIXO?!?

_ Pô, assim, eu achei legal…

_ Como assim você conseguiu achar aquele lugar legal? Uma música horrorosa! Não dá pra ver a cara de ninguém na pista! E todas as garotas vestem a grife da Geisy Arruda! Teve uma hora que meu bom humor já estava a zero e eu larguei todo mundo dançando e sentei sozinha na parte com bancos onde os casaizinhos ficam se pegando, pra você ver o tamanho do meu tédio. Aí um cidadão me chega, senta do meu lado sem ser convidado, e disse que achava um absurdo eu não estar me divertindo. Quando eu disse que não saia muito a noite, perguntou, em tom de ironia, se eu ficava em casa jogando jogo de tabuleiro com a sua irmã. Eu respondi que sim e ele disse “Poxa, você até que é bonitinha, mas é muito sem graça!”

Viu só! Mais gente pro time dos que preferem uma boa partida de Banco Imobiliário a uma noite de muita curtição na balada mais bombante do Rio! Ainda trago minha irmã pra esse time…