O caso do rato

É inegável que morar sozinha tem seu lado bom, mas às vezes a gente não consegue parar de pensar na parte nem tão legal assim. É a geladeira que não se enche sozinha, é o milagre da multiplicação da roupa suja, é não ter ninguém pra matar a barata. Mas falando em fauna que teima em te visitar, a barata pode ser o menor dos seus problemas.

Outro dia um amigo meu chegou em casa após um dia cansativo de trabalho e se deparou com um rato de proporções bastante avantajadas passeando pelo seu quarto. Depois de horas de perseguição que resultaram em um roedor entocado em algum lugar daquele apartamento e um inglês exausto, o meu amigo desistiu da tarefa e foi dormir sentado no vaso sanitário trancado no banheiro.

Para resumir a história, foram necessários 3 chineses, dois dias e uma vassoura, mas o rato foi finalmente capturado e o inglês entrou praticamente em coma e dormiu por quase 20 horas seguidas. Pelo menos alguém estava dormindo…

Depois de ouvir sobre o rato num almoço casual com o pessoal do trabalho, eu confesso que fiquei um pouco paranoica. Eu moro no mesmo condomínio que o inglês e se há ratos rondando o apartamento dele, as chances são grandes de que eles apareçam na minha área também. Cheguei do trabalho e, só por desencargo de consciência, vasculhei cada cantinho da minha casa a procura de algum rato que poderia estar se aproveitando do meu lar quentinho, mas não achei nada.

Eis então que no meio da madrugada, desperto do meu sono com um barulho dentro do quarto. “Só pode ser um rato”, eu pensei, e me coloquei novamente atrás do roedor de lanterna na mão às 4 da manhã, arrastando o rabo do meu pijama de dinossauro pelo chão frio. Até que eu enfim achei o culpado. Não era um rato, mas o ganchinho de sucção que eu havia prendido na parede que se soltou.

Ainda estou na dúvida se é melhor ter certeza que se matou uma barata sozinha, ou ter uma vida solitária assombrada pelo fantasma do rato imaginário. Se algum dia eu voltar a ter uma noite de sono tranquilo, eu aviso.

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