Chamando o Raul

Spoiler alert: Não leia esse post se você acabou de comer, está comendo, ou está pensando em comer alguma coisa daqui a pouco. Sério, melhor não. Depois não diga que eu não avisei.

Eu nunca tive problemas de enjoar no mar. Desde criança, sempre andei de barco, algumas vezes em situações pouco seguras (para ser gentil), e nunca tinha passado mal numa embarcação, mas para tudo há uma primeira vez na vida, não é mesmo?

O tempo em Penang, cidade onde eu estava havia alguns dias, não estava dos melhores. Chuvas torrenciais sem hora marcada todo dia. Às vezes de manhã para fazer você repensar na programação do dia, às vezes a tarde para fazer você voltar correndo mais cedo para o hostel, e até de madrugada para não te deixar dormir. Como o tempo simplesmente não melhorava, decidi ir para meu próximo destino, uma ilha quase na divisa com a Tailândia.

Indo de uma ilha para outra, nada mais natural que o meio de transporte preferencial fosse marítimo, logo não pensei duas vezes e comprei minha passagem de ferry para Langkawi. Ferry nada mais é do que uma barca, aquela embarcação grande, lenta e sem muita oscilação que todo carioca já pegou um dia para chegar em Niterói (ou na Ilha Grande de férias). Para que se preocupar então, certo?

Acontece que o que eu peguei definitivamente não era uma barca (apesar do que estava escrito no meu ticket). Era praticamente uma lancha bem grande e que se deslocava bem rápido. Super segura e confortável, é verdade, com ar condicionado e grandes janelas de vidro para a água não entrar, mas ainda assim não era bem o que eu estava esperando.

Percebi que em todas as fileiras, pendurados junto com os coletes salva-vidas, haviam saquinhos plásticos, e juro que eu achei exagero. Mesmo depois de começarmos o trajeto, e o balanço já começou logo no início, eu ri internamente quando o cara sentado na minha frente levantou para garantir um saquinho pra ele e esnobei o Dramin que eu tinha dentro da bolsa achando que iria ficar tudo bem.

Não ficou tudo bem. Depois da primeira hora de viagem eu estava um pouco enjoada, mas segurando a barra com dignidade, mesmo assim achei melhor assegurar um saquinho amigo para mim só por precaução. Estava tudo sob controle, até que a música que eu estava ouvindo para me distrair acabou e naqueles segundos de silêncio antes da próxima faixa começar a tocar, eu ouvi alguém vomitando, e a “Síndrome do Vômito Solidário” entrou em ação.

Lá se vai todo o meu almoço (poxa, eu estava tão feliz por ter comido direitinho e tão barato)! E nesse momento começa uma luta dificílima para botar tudo pra fora dentro do saquinho enquanto o barco continua balançando loucamente, em meio a uma sinfonia de pessoas de todas as idades, credos e nacionalidades chamando o Raul. Podem me dar uma medalha por não ter respingado em nada!

Foram ao todo três horas de viagem inesquecíveis, mas a prova de que eu não fiquei traumatizada é que no dia seguinte, adivinha qual foi o primeiro passeio do dia? Ir de barco conhecer as ilhas menores ao redor, claro! Mas dessa vez o mar estava calmo e o café da manhã pôde ser digerido com sucesso.

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