Pontos de vista diferentes

Outro dia, conversando sobre comida com o gerente do albergue onde estou hospedada, ele me perguntou se comíamos arroz no Brasil. Eu disse que sim, era super normal, mas que era totalmente diferente do jeito que eles preparam aqui na Ásia. Expliquei que o nosso arroz é temperado com alho e cebola e que ele não é assim grudadinho, ele é bem mais… Nisso, ele me interrompeu e disse “Seco?”.

É, bem, eu nunca usaria essa palavra para descrever o arroz que a gente come todo dia (aliás, saudades de comer arroz assim todo dia e de garfo), mas em comparação com a preparação deles, faz todo sentido. E aí fica fácil de entender que outras coisas que eu antes achava super estranhas, simplesmente não faziam sentido sob o meu ponto de vista.

Por exemplo, eu sempre ri e fiz piada ao ver esse tipo de aviso em banheiros por aí (foco na terceira ilustração):

20160829_155612

“Gente, mas quem iria pensar em fazer isso no vaso?” “Não pode ser coisa de gente normal.” “É sério que precisa pedir para não fazerem isso?”

Só que tudo fez sentido pra mim depois que eu me vi forçada a usar o banheiro asiático. É essa a posição que eles fazem para ir ao banheiro todos os dias. Privada é uma coisa que se tem em hotéis e lugares frequentados por ocidentais. Pelo menos na China é assim, e pelo que tenho lido, é o mais comum em vários outros países asiáticos.

squat_toilet_shanghai

O tão temido squatting toilet

E vou dizer, não é tão ruim assim. Aliás, para nós mulheres, é até bem mais fácil do que aqueles malabarismos que estamos acostumadas a fazer para não sentar em privadas duvidosas. Juro que não saí do banheiro toda respingada de xixi e agora já estou até achando normal, mas é o máximo que eu consigo, nada de número 2 (apesar dos relatos dizerem que a posição facilita bem a vida nesse departamento).

E só mais um parêntesis sobre o banheiro, achar um desses aí é quase lucro. Tem um outro bem pior no qual as “necessidades” do coleguinha ao lado escorrem por baixo de onde você está abaixado, e raramente portas individuais estão envolvidas.

E ainda que as diferenças entre oriente e ocidente possam parecer grandes, mesmo entre nós temos alguns costumes bastante únicos. A prova disso é que umas americanas com as quais conversei ficaram CHO-CA-DAS quando eu contei que no Brasil a gente usa abacate para fazer vitamina (com açúcar). Para elas, abacate é coisa que se coloca no sanduíche e na salada (com sal e azeite).

Fazer o quê? O jeito é aproveitar que você está no quadrado do coleguinha para tentar coisas diferentes. Vai que você descobre que abacate é muito melhor com sal? Ainda não provei (tirando no guacamole), mas o que posso dizer por enquanto é que no quesito arroz, prefiro o nosso.

 

 

2 comentários

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