Turismo e excursões

Viajar sozinha tem um pouco de tudo. Tem os dias em que você está se sentindo corajosa e aventureira. Pesquisa na internet, arranja um mapa, pega um ônibus normal com pessoas que estão indo trabalhar, se perde, pede informação para desconhecidos, e finalmente chega aonde queria, tudo por conta própria. Tem dias que você faz amizade no albergue e decide fazer a programação do dia em grupo, dividindo as responsabilidades, enquanto um está fazendo sinal para o táxi o outro está conferindo a localização no GPS. Mas tem dias que até o mais pão duro dos mochileiros pede arrego, não está a fim de trabalho, e paga por uma excursão com tudo incluído.

Com toda a minha restrição orçamentária e vontade de me virar sozinha ao máximo, até agora nessa viagem fiz esse tipo de tour duas vezes, e uma não poderia ter sido mais diferente da outra.

Na primeira, fui à Muralha da China. Graças ao guia que falava inglês (ou quase isso, já que ninguém conseguiu entender 100% do que ele disse naquele dia), todo o grupo era de ocidentais. Americanos, italianos, holandeses, ingleses… Colei num casal de alemães divertidíssimo e passamos a manhã andando pela muralha e fazendo graça. No almoço, sentamos todos numa mesa enorme, provando comidas exóticas e trocando impressões sobre a China. Um dia muito divertido.

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Não tiramos fotos juntos, mas Julie e Peter acabaram saindo em uma das minhas fotos por acidente

Na segunda, fui à Jade Dragon Mountain, uma montanha famosa na cidade relativamente pequena de Lijiang. A cidade é bem turística, só que para chineses. Os poucos ocidentais que eu vejo estão interessados em fazer um trekking super procurado que dura dois dias e não passam muito tempo explorando o restante da cidade.

Sabendo disso, não era para eu ter ficado tão surpresa quando a pessoa da recepção do albergue me falou que o guia da excursão falava chinês. “Tudo bem, a pessoa trabalha com turismo, alguma coisa em inglês ela deve falar, né?” Não na China. A primeira hora dentro da van foi um pouco torturante, com todas as outras pessoas falando em chinês o tempo todo e eu ali sem entender nada e já me arrependendo de ter gastado meu rico dinheirinho. O grupo era formado por um casal coroa, um casal de trinta e poucos anos de chapéu (sim, ambos) e um trio jovenzinho, e aparentemente ninguém iria se comunicar comigo o dia todo.

Quando chegamos na montanha para pegar o bondinho, o guia cismou que se repetisse tudo bem devagar eu iria entender. Mas aí veio a primeira reviravolta do dia: o casal de chapéu conseguia falar uma ou outra palavra em inglês, o suficiente para me passar algumas informações básicas tipo “esperar 11 horas bondinho”. Ao perceber isso, meu plano era passar o dia seguindo os dois para não me perder e ser esquecida na montanha, mas acabei nem precisando fazer a stalker ocidental estranha.

Normalmente em excursões assim, o guia passa o horário e um ponto de encontro e a partir daí é cada um por si, indo para onde quiser de forma independente. Só que dessa vez o grupo (que não se conhecia, é bom lembrar), decidiu andar junto o tempo todo, e meio que me adotou. Ficaram preocupados se eu tinha entendido as instruções de como montar o respirador de oxigênio e durante a subida, estavam sempre olhando em volta para ver se eu não tinha me afastado e perguntando se eu estava bem. Obcecados por fotos como só os chineses são, eles perguntaram várias vezes se eu não queria que eles tirassem uma foto minha e fizeram questão de me incluir na foto em grupo (e de me passar a foto depois).

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Eu no meio dos chineses

Claro que problemas de comunicação acontecem e quando o cara do chapéu falou que a garrafa de oxigênio tinha capacidade para 18 “respiradas” eu surtei. Não estávamos nem na metade do caminho e eu já tinha usado várias vezes. “Socorro! Vou morrer aqui em cima, ainda bem que eu paguei o seguro viagem mais caro com direito a remoção de helicóptero.” Mas foi apenas um probleminha de pronuncia e ele quis dizer 80 (viram, alunos, como faz muita diferença?). Ufa!

Depois disso inda teve o almoço, com muita mímica para me explicar como as coisas funcionavam e a tia coroa tentando encher a minha cumbuquinha de comida a cada cinco minutos.

Apesar da comunicação limitada, tive um dia incrível que eu dificilmente vou esquecer, e mudei completamente a ideia que eu tinha dos chineses. Quem diria que era só ir numa excursão para isso acontecer?

2 comentários

  1. Impagável….Todos são iguais hahahahhaha…. E com a mesma roupa então! Compartilho do teu desespero achando que tava ficando sem oxigênio….

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