Uma emoção chamada “chegar sem dinheiro”

Eu sou uma pessoa organizada. Com viagem então, eu beiro a paranoia. Sempre caí na estrada com tudo decidido, reservado e preparada para qualquer eventualidade. Tudo devidamente calculado e a moeda estrangeira já trocada para não me enrolar com o maldito iof do cartão.

Mas aí como faz quando você vai para vários lugares e não é prático (nem seguro) trocar todo o seu dinheiro em cada moeda que você vai precisar. Depois de muitas pesquisas no maravilhoso mundo da internet, descobri que a melhor alternativa para mim seria fazer saques com o meu cartão de débito em moeda local em cada lugar que eu chegasse. Na teoria, tudo lindo, mas na prática me rendeu meus primeiros momentos de tensão na China.

Já saí no Brasil com os meus ienes japoneses em mãos, já que era o primeiro lugar que eu iria, e, como sou quase de humanas, ainda estou tentando entender a magia que eu fiz para ter trocado uma quantidade tão exata de dinheiro (sério, só sobraram moedinhas). Ainda no aeroporto de Osaca, perguntei no balcão de informações, como quem não quer nada, se era possível sacar dinheiro nos caixas eletrônicos em moeda chinesa. Nada feito. Entrei no avião sem um tostão chinês no bolso e morrendo de medo, se algo desse errado não conseguiria nem sair do aeroporto.

Depois de finalmente pousar e passar por toda aquela burocracia da imigração, avisto um caixa eletrônico. “Ufa!”, pensei. Cheguei perto e logo na tela de entrada tinha a opção de menu em inglês. “Já deu certo!”. Coloquei meu cartão, fui seguindo as instruções e aparece o aviso ERRO. “Ops…O que será que eu fiz de errado?”. Tentei novamente, mesma coisa. Tentei com outros dois cartões, nada funcionava.

Fazendo o meu melhor para controlar o desespero, fui procurar outro caixa eletrônico. Por sorte aviso outros dois um pouco mais a frente. Me aproximo e ambos estão com plaquinhas FORA DE SERVIÇO. “Ai minha Lady Gaga, o que eu faço agora?” Bateu até um calor e tirei o casaco.

Decidi andar mais um pouquinho quando vejo lá no fim do corredor minha última esperança, uma última máquina quase escondida depois da curva. Lá vou eu novamente e “Aleluia, irmãos!”, as notinhas com a cara do Mao Tse-tung finalmente chegam nas minhas mãos e eu posso finalmente pagar pelo ticket do trem para chegar no meu hotel. Na verdade, pegar o trem, para pegar o metrô, trocar de linha no metrô, sair na estação certa, me achar super esperta por ter conseguido, me perder ao virar na rua errada, me achar uma idiota já que é obvio que o Google Maps não funciona aqui, pedir penico e entrar num táxi.

Sim, aqui já começa com emoção…

3 comentários

  1. Meu Deus, quase me caguei aqui em solidariedade a vc!!! Fiquei aqui imaginando a cena de vc explicando pro taxista aonde queria ir… E o cara não sabendo falar inglês hahahahah

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