Na churrascaria

Toda família tem suas peculiaridades, e a minha não é diferente. Por exemplo, minha irmã não come carne, mas isso não nos impede de ter longos almoços de domingo em churrascarias.

A situação já foi bem mais dramática. Quando nós éramos crianças teve um garçom que ficou tão incomodado com o fato de a minha irmã não aceitar nada do que era oferecido e de haver apenas arroz, farofa e batata frita em seu prato, que perguntou se ela não gostaria que ele trouxesse um ovo frito.

Hoje em dia as coisas estão bem menos restritas na dieta da minha irmã, mas o fato de ela comer a sua cota do rodízio apenas em coxas e corações de frango continua a gerar os olhares mais estranhos nos garçons. Pelo menos ela faz a alegria da classe menos favorecida, que ainda não tem gabarito para empunhar um espeto de picanha, ao aceitar, por exemplo, um pouco do suflê de bacalhau, intacto até então.

Eu sinto ela deve estar preparando uma vingança. Um dia, ela vai nos convidar para almoçar fora e vai levar a gente num restaurante de comida japonesa, e ainda vai poder dizer com toda propriedade que a vingança é um prato que se como frio (e, às vezes, cru).

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