Superação

Todas as pessoas do sexo feminino (sim, eu disse todas, sem excessão, e talvez alguns do sexo masculino também) perdem pelo menos alguns minutos da vida imaginando o que fariam se reencontrassem aquela pessoa cobiçada da época do colégio e esta mostrasse interesse pela sua pessoa. É esse ponto que torna fácil a divisão da população mundial em dois grupos muito distintos: aqueles que a cinco anos já tem o discurso de rejeição na ponta da língua para sambar na cara do ex alvo de estolkiação (neologismo sempre foi meu fenômeno preferido da Língua Portuguesa…) ou aqueles que pegariam a pessoa só para ter o gostinho da vitória.

Eis que então estava eu na cama outro dia, pronta para dormir, mais de uma da madrugada , quando meu celular tocou. Olhei meio desconfiada e vi que era uma amiga minha da época de colégio. Em dois segundos tudo de pior que pode acontecer com uma pessoa passou pela minha cabeça antes de atender, mas confesso que não estava preparada para ouvir o que se seguiu:

_ Fulana? Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?_perguntei eu, toda preocupada.

_ Ih, foi mal! Nem olhei a hora! Já tava dormindo, né?

_ Não, quer dizer, quase, mas o que é que houve pra você me ligar assim a uma hora dessas?

_ Então lembra do Fulaninho?

_ Que Fulaninho?

_ O Fulaninho! Da época da escola? Aquele por quem a gente era apaixonada? Então, acabei de pegar!

_ Como assim acabou de pegar?

_ Peguei, ué! Desculpa te ligar a essa hora, mas é que eu precisava compartilhar isso com alguém! Analu, eu venci!

Não, eu não inventei nada. Sim, essas foram exatamente as palavras que ela usou. E não, isso não é um filme de Hollywood onde depois de tantos anos eles se reencontram e descobrem que são almas gêmeas para serem felizes para sempre juntos. Na verdade, eu nem sei se eles vão se ver de novo, mas não é qualquer dia que aparece uma história de superação tão bonita para compartilhar.

E só para constar, eu faço parte do primeiro grupo, no caso de um certo cidadão magricela de olhos verdes estar lendo esse blog e se perguntar sobre as possibilidades. Mas sinta-se a vontade de dar em cima de mim, meu discurso de rejeição é digno de novela das oito e eu não gostaria de desperdiçá-lo.

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