Filed under: Constatações | Tags: Carnaval, colonização cultural, cultura africana, Esquenta, Regina Casé
Se você é considerado uma pessoa normal pela sociedade, deve estar bêbado desde ontem e continuará nesse estado até a quarta-feira, se esbaldando e beijando desconhecidos em blocos com nomes de duplo sentido, lotados de gente suada e tão bêbada quanto você, pelas ruas da cidade. Ou então, perderá horas da sua vida preso em um engarrafamento infernal na tentativa de se deslocar para algum litoral onde você vai fazer exatamente a mesma coisa, com o adicional de que irá faltar água e luz na sua casa e pão na padaria.
Por estar sentada na frente do meu querido computador a uma hora dessas em pleno carnaval, está claro que eu não faço parte da parcela dita normal da população brasileira. E acho que a dona Regina Casé me fez entender o porquê desse meu posicionamento xiita contra o carnaval.
Hoje fui obrigada pelo meu querido pai a almoçar vendo o programa “Esquenta”, que existe para mostrar tudo que eu odeio da cultura brasileira. Eis que em um momento do programa, ela disse que a razão por ela ser assim, por gostar das coisas que ela gosta e que fazem parte da pessoa que ela é, seria porquê ela foi “culturalmente colonizada” pelos africanos. Rá! Descobri meu problema! Como é que uma pessoa pode ser considerada normal tendo sido “culturalmente colonizada” peles ingleses e vivendo num país recheado de Reginas Casés?
Eu não gosto de samba, eu não entendo porquê as mulheres precisam ficar praticamente nuas, eu acho que já tive que ouvir o suficiente sobre história do Brasil Colônia na escola e eu não me sinto confortável quando penso no número de aves inocentes sendo depenadas para sustentar essa festa. Se for mesmo verdade que “quem não gosta de samba bom sujeito não é”, eu junto-me aos maus numa terra onde onde só glam rockers usam paetês e purpurina e ninguém irá me olhar feio se eu disser que prefiro Rolling Stones à Noel Rosa.
Não, eu não sofri uma lavagem cerebral recentemente e eu continuo não sendo a maior fã do ecossistema praia, mas eu aproveitei o finzinho das minhas férias para passar uns dias na Ilha Grande à base de sombra, água fresca e caminhadas cruéis.
Durante uma das trilhas que consistia em subir e descer um morro para chegar na praia mais famosa da região, minha mamãe me surpreendeu mantendo um ritmo constante e sem dar piripaque nenhum, mas nós passamos por um grupo de uma mãe um pouco mais velha que a minha, acompanhada pelos filhos e sobrinhos, que passou o tempo todo falando:
_ Vai mais devagar, gente! Assim eu não posso acompanhar! O moço do “Bem Estar” (aquele programa matinal da Globo) disse que tem que fazer uma conta com a idade da gente para saber o número máximo de batimentos cardíacos que a gente pode atingir e eu já estou no limite!
E um dos sobrinhos sabiamente respondeu:
_ E você acredita no cara do “Bem Estar”, tia? Ele é gordo! Que moral ele tem? E ainda fica mandando os outros emagrecerem!
Vai, gente, ele nem é tão gordinho assim. O que eu não consegui entender, nem ninguém que estava ali por perto naquele momento, é como a tia realizou a façanha de assistir ao ”Bem Estar”! Acho que ela deve ser a única pessoa impedindo que o programa marque um traço de Ibope.
Filed under: Constatações | Tags: extinta, Galápagos, redescoberta, tartaruga de Darwin
Outro dia, quer dizer, a quase um mês atrás mais ou menos (não me julgue, estou de férias e com muita preguiça de escrever), vi vários amiguinhos meus dos tempos de faculdade compartilhando em tom de felicidade no Facebook uma notícia que me deixou um pouco intrigada:
Tartarugas dos tempos de Darwin são redescobertas em Galápagos.
Sim, eu fiquei intrigada. Veja bem: o tal do quelônio em questão pesa mais de 200 quilos e chega a quase 2 metros de comprimento, como é que os cientistas conseguiram perder 38 animais desses de vista por 150 anos! O que esses biólogos estavam fazendo que não prestaram atenção num bicho desse tamanho perambulando numa ilha e o deram por extinto?
Ao comentar sobre essa minha observação, minha irmã (sim, sempre ela) fez questão de jogar na minha cara um dos episódios ocorridos nos meus dias de UNIRIO:
_ Claro que os biólogos não repararam! Deviam estar fazendo coisas muito mais importantes como usurpar glicerina de algum laboratório para fazer bolhas de sabão, é só isso que vocês fazem, né!
Que fique claro que as bolhas de sabão faziam parte do trabalho de educação ambiental de alguém da minha turma e que eu também aprendi outras coisas incrivelmente úteis na faculdade. Por exemplo, se você for capaz de vibrar as moléculas do seu corpo na mesma frequência das moléculas de uma parede você será capaz de atravessá-la e que a grande maioria dos personagens de histórias em quadrinhos tem suas características/poderes inspiradas no mundo animal.
Mas o que realmente importa é que eu continuo sem entender como perderam tartarugas desse tamanho de vista…
Eu não sou uma grande conhecedora de bebidas alcoólicas. Tudo que eu sei é que eu odeio fermentados e só tolero destilados diluídos ao máximo em suquinhos muito doces. Eu nunca experimentei Campari e tudo que eu sabia até semana passada sobre a bebida era que ela é vermelha. Mas depois do depoimento de um amigo meu, acho que nunca irei me arriscar a tentar:
_ Aquele troço é horrível! Se a maldade tem um gosto, é o gosto do tal do Campari, é por isso que no comercial fica um jogando a bebida no outro, porque ninguém aguenta beber!
Então já sabe, se você ver alguém na balada com um copo de Campari na mão mantenha a distância, as chances são altas de que na hora que essa pessoa for se desfazer da bebida você acabe sendo atingido.
Filed under: Constatações, Minha irmã | Tags: John Hughes, livros, tablet
Eu não sei brincar de internet sozinha, por isso eu vivo em rede social: quando eu acho algo muito legal, eu quero que todos os meus amiguinhos vejam e achem o máximo também. Mas às vezes chamar a minha irmã que está a dois metros de distância para ver o que eu achei já satisfaz a minha necessidade.
Hoje chamei ela para ver esse twitte aqui:
E ela, sem pestanejar, retrucou logo:
_ Hoje em dia acho melhor ele nem tentar fazer isso. Vai que ele esbarra na menina, cai o tablet dela e espatifa no chão? Se fosse comigo, eu matava!
Se eu fosse você, ò rapaz fofo porém desligado que parece ter fugido de uma comédia romântica do John Hughes, tomava mais cuidado ao andar pela rua e ficava longe da minha irmã…Fica a dica.
Filed under: Minha irmã
É… a vida está difícil para quem está solteira no Rio de Janeiro (música tocando na sua cabeça em 3, 2, 1…). Não adianta você ser inteligente, engraçada, interessante e bonita. E se você, assim como eu, não está nessas categorias, a coisa fica ainda mais complexa para o seu lado. Até a minha irmã está passando por uma fase de seca na vida amorosa.
Outro dia mesmo estávamos eu e ela numa festa de família, aniversário de dezoito anos de uma das minhas primas. Como eu só gosto de gente esquisita e a faixa etária também não condizia com a minha, uma tia começou a sondar minha irmã para saber se ela estaria interessada em algum dos convidados que naquele momento bailavam alucinadamente ao som de um funk qualquer que os mandava sentar em algum lugar que eu não prestei muita atenção graças aos gritinhos histéricos. E minha irmã, em sua vasta sabedoria, respondeu a minha tia:
_ Sem condições. O pessoal ou é muito gay, ou é muito nem, de qualquer jeito não vale a pena investir.
É… está difícil a vida para quem tem critérios…
Filed under: Acontece com os outros, Internet | Tags: Facebook, fake, Forever alone, Status de relacionamento
Normalmente eu me acho a pessoa mais #ForeverAlone desse mundinho chamado internet, mas de vez em quando aparece alguém para me lembrar que não, eu ainda (ênfase no ainda) não cheguei no fundo do poço, por mais que vocês possam achar que eu estou bem próxima disso.
Hoje meu dia já começou com minha irmã me chamando às gargalhadas no computador para ver o que a amiga dela (sempre os amigos da Heloá…) tinha colocado no status de relacionamento:
Sim, cansada dessa vida de encalhação a menina teve o trabalho de criar um perfil fake do Chris Evans (se você não sabe quem é Chris Evans vou logo avisando para não ler nenhum dos meus outros posts já que não vai entender nenhuma referência de cultura pop mesmo) para anunciar para todos os amiguinhos que ela está num relacionamento enrolado com ele. A parte mais legal são os comentários dos amigos avacalhando a ideia genial da coleguinha:
Nem preciso queimar meus escassos neurônios tentando fazer algum comentário engraçadinho depois de tudo que os coleguinhas disseram. E a prova de que a menina em questão é tendência, é vanguarda, é que já tem gente imitando o estratagema:
Destaque para o meu incrível esforço para preservar a identidade das pessoas envolvidas no caso, com exceção da minha irmã, claro. Vamos começar já a pensar em qual será o fake hollywoodiano que você vai criar para incrementar sua vida amorosa imaginária. Personagem vale também? Se sim, Seth Cohen é meu e ninguém tasca!
Filed under: É tendência, Constatações, Internet | Tags: corrente, Facebook
Mesmo tendo certeza que graças a isso vão me chamar de velha ranzinza, decidi escrever sobre esse novo fenômeno do Facebook que simplesmente não faz sentido para mim: a proliferação de correntes engajadas que não engajam ninguém.
Tudo começou a muito tempo atrás quando alguém começou a pedir para as pessoas do sexo feminino colocarem a cor das suas respectivas roupas íntimas, assim, só a cor mesmo, sem explicar nada a ninguém. Não me lembro se foi no dia internacional da mulher ou qualquer coisa parecida, mas na época, como a movimentação nos territórios de Mark Zuckerberg ainda era pequena, pouca gente aderiu.
No ano passado, nesta mesma época de dia das crianças, as pessoas do Twitter começaram um movimento de troca de avatares por desenhos animados para celebrar a infância e relembrar os velhos tempos. Até aí, normal. O povo do Twitter adora mudar de foto toda semana mesmo, um dia é foto com bigode, no outro é foto de roupa de baixo, no outro dia é foto fantasiado de zumbi, toda semana é uma novidade!
Mas voltando ao Facebook, recentemente houve aquela palhaçada de polegadas, que na verdade significavam o número do seu sapato, contra o câncer de mama. Detalhe, não podia explicar o que era para os homens. Agora eu te pergunto: 1) Qual a graça da brincadeira? e 2) Em que isso iria ajudar na luta contra o câncer de mama? Aí teve gente com raivinha porque dez minutos depois de a brincadeira ter começado a explicação vazou para o outro gênero e na mesma semana tentaram emplacar outra (tão besta quanto) em que nós mulheres (eike que vergonha…) tínhamos que colocar um país que simbolizava nosso estado civil. Não faço ideia de qual era o protesto por trás desse joguinho super mirabolante, mas a graça também ficou de fora.
Eis então que no início dessa semana eu recebo a seguinte mensagem:
Troque a foto do seu perfil por um desenho animado ou personagem de gibi que marcou sua infância até dia 12 de OUTUBRO – DIA DAS CRIANÇAS. Uma forma de manifesto contra erotização infantil e qualquer ato libidinoso contra a criança.
A minha pergunta é só uma: COMO É QUE CARGAS D’AGUA MUDAR A MINHA FOTO POR UM DESENHO ANIMADO VAI AJUDAR EM ALGUMA COISA? Ou vai dizer que um pedófilo vai desistir de fazer mal a uma criancinha porque ele viu a sua nova foto de perfil que é a Pequena Sereia? O único resultado dessa corrente inútil é dificultar a nossa vida, porque está difícil identificar quem é quem, viu!
E eu que resolvo questionar as coisas ainda sou chamada de chata, só porque eu me recuso a participar de uma inutilidade dessas, vê se pode? Que saudades do meu Facebook de 2 anos atrás…
P.S: A todos os meus amigos que não entraram nessa, vocês subiram no meu conceito!
Um belo dia, para variar, estava eu vagando sem rumo pela internet a fora, quando me deparei com a pergunta “O que você faria com seu computador para ganhar uma mesada de R$5000,00 durante um ano?”. Minha mente começou a trabalhar freneticamente no mesmo instante, afinal não é qualquer dia que alguém se dispõe a te pagar um salário desses sem ter que prestar concurso público nem ter curso superior. Aí é que, antes de pensar em o que eu faria, eu comecei a pensar em tudo que eu me recuso a fazer com meu computador para faturar.
Para começar, eu nunca faria um vídeo de “bêbado dramático” e colocaria na web, não importa se eu tivesse quebrado meu dente ou só chateada porque ninguém me cutuca no Facebook. Nunca iria me filmar fazendo receitas inovadoras de sanduiche (rolam boatos que a mestre puta cuca que fez essa proeza é da minha terra, que vergonha…) nem falando mal de meio mundo (meu repertório de reclamações e xingamentos não é tão extenso assim e meus dois olhos apontam numa mesma direção).
Pela falta de talento musical e de vida social, também nunca iria tentar emplacar um sucesso sobre as minhas noites de sexta-feira. Pela falta de coordenação motora e graças a uma leve claustrofobia, coreografias com máscara de personagem também estão fora de cogitação. Além disso, eu gosto muito de Liztomania para estragar a música com meus passinhos desengonçados.
Fazer exposição da figura também não dá, o tio Ali cansou de dizer que isso só leva as pessoas ao mármore do inferno e eu é que não quero acabar jogada no vento! Sem contar que com o meu sex appeal de uma mula manca eu não iria atrair muito público mesmo…
Depois de tanto pensar acabei chegando a uma triste conclusão: estou invariavelmente condenada a uma vida de professora pobre e anônima.






